... Quando penso em ser atriz, trabalhar como artista, logo vem a responsabilidade que se faz empírica nesse ato de ser e estar.
Quando do ato de atuar, em qualquer que seja o palco, o sete de filmagem, a rua, praça, picadeiro ou sala, você, naquele momento, se dispõe a dizer algo, a tocar o individuo que te assiste e o propõe a viver instantaneamente um conflito interno, seja o tipo do espetáculo ou filme que for... drama, comedia, suspense, policial, musical, infantil, educacional, mitologico.
A arte deve ser utilizada para transmitir conhecimento, abordar assuntos que precisamos olhar para eles... a dramaturgia, coloca em nossa frente de forma mágica o poder de fazer outras pessoas se porem a pensarem.
O entretenimento é bom? Sim, mas este também pode ser feito de forma inteligente.
Acredito que não viemos apenas para falar de coisas boas, até porque a vida não é sempre bela, se ate nos contos de fadas existem os lobos e as bruxas, na vida existem as doenças, os brutais, os pcicopatas, a falta de ética, e contrapondo, existe o amor, a amizade, o prazer, o sorriso, o toque, a dança... sempre uma balança.
Assuntos polêmicos, assuntos que não existem respostas prontas ou sequer sabemos a pergunta certa.
Não penso que o que importa é estar em cima de um palco, independente do que esteja sendo mostrado... não mesmo, para se apresentar, para atuar, para se despir de você e vestir-se de outro alguém, de um personagem que vem a vida, que nasce para viver ao seus suspiros, para isso deve sim ter um motivo, um argumento, precisa sim querer dizer alguma coisa.
O publico precisa ser tocado de alguma forma, penso que é lindo quando pessoas levantam após ter assistido uma peça e ponham-se a pensar, refletir no que foi dito, discutido...
Não vejo muito sentido em atuar, se as pessoas saírem da mesma forma que entraram, sem nenhum tipo de transformação, nem uma indagação se quer, ou que seja um sorriso sincero, uma lagrima a ser escondida ou escorrida pelo rosto molhando as mãos, um coração que fique apertado de felicidade ou angustia...
Somos seres que sentimos, e por que não deixar estes sentimentos aflorarem, deixar que a sensibilidade venha a tona, mostrar seu lado criança, alegre ou triste de ser.
Relações humanas que são tão difíceis de serem entendidas, homens e mulheres com seus mundos individuais em sua maioria, cada um querendo alcançar suas expectativas, tentando deixar para longe suas frustrações que infelizmente são mais comuns que deveriam.
Por isso, quanto mais me conheço, mais quero me despir de mim mesma e enxergar outros que por mim terão vida, historia e passaram, me transformando, cada um a sua maneira, até que eu vire a transformação de todos em apenas uma.
Por Camila de Paula, 12/04/2011 às 20:22 hs